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domingo, 22 de maio de 2011

Sob a batuta de Lucas, São Paulo vence o Flu com facilidade no Rio

Garoto tem atuação de gala na vitória por 2 a 0, em São Januário. Atual campeão deixa o campo vaiado, e Enderson Moreira é chamado de burro

O atual campeão brasileiro estreou de forma decepcionante. Com autoridade, sem dar bola para a crise e com um Lucas em noite inspirada, o São Paulo foi a São Januário neste domingo e venceu o Fluminense por 2 a 0, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro. O meia da Seleção Brasileira e Dagoberto marcaram os gols da partida, que, se não empolgou Paulo César Carpegiani, sentado e calado durante quase os 90 minutos, serviu para chutar para longe a depressão pós-eliminação na Copa do Brasil

Enquanto isso, os cariocas deixam claro a cada movimento em campo suas carências. Sem Fred, com amigdalite, o ataque foi nulo; o meio-campo, pouco criativo; e a defesa, desarrumada. A chegada de Abel Braga, antes esperada com paciência, passou a ser emergencial para que o campeonato não “comece” tarde demais. No primeiro teste, a equipe saiu de campo sob vaias de gritos de “time sem vergonha”. Já Enderson Moreira foi para o vestiário ao som de “burro”.
Com o resultado, o São Paulo termina a primeira rodada na quarta colocação, e o Flu, na 18ª.

O Fluminense vai jogar fora de casa na próxima rodada. No domingo, o time enfrenta o Atlético-GO, no Serra Dourada, às 18h30m (de Brasília). No sábado, o São Paulo recebe o Figueirense, às 21h, no Morumbi.

Paciente, São Paulo larga na frente

Disperso e sem criatividade, o Fluminense que entrou no gramado de São Januário não parecia em nada o time que levou uma semana na Granja Comary para treinamentos. Por outro lado, o São Paulo também não dava indícios de ser uma equipe afetada pela crise deflagrada com a eliminação na Copa do Brasil e os problemas envolvendo Carpegiani e Rivaldo. Resultado? Vantagem paulista ao término de 45 minutos, nos quais teve como maior virtude a paciência.

Se por um lado Deco, Conca, Rafael Moura e Rodriguinho não se encontravam no ataque e apelavam para chutes de longa distância na ânsia de abrirem o placar, o São Paulo abusava da troca de passes no meio-campo em busca de espaços para usar a velocidade de Lucas e Dagoberto. Estratégia que deu certo, mesmo com o Fluminense tendo dois volantes à frente da linha de zaga.
Ainda distante da forma ideal, Leandro Euzébio não teve bom retorno após artroscopia e não encontrou nos companheiros a cobertura esperada. Inoperante ofensivamente e desequilibrado na defesa, o Flu chamava o São Paulo e sofreu o gol aos 33 minutos. Foi quando Casemiro teve tempo para dominar, pensar e achar Dagoberto em um dos buracos na zaga tricolor. O atacante chutou forte, de primeira, e fez 1 a 0.
A desvantagem não foi capaz de acordar os cariocas, que observavam mais do que marcavam e por pouco não viram Lucas ampliar antes de ouvirem vaias na descida para o intervalo.

Lucas toma conta do jogo e dá espetáculo


O gol do jovem meia da Seleção Brasileira, porém, não demorou a acontecer. Por sinal, ele pegou o segundo tempo e colocou debaixo do braço, com direito a um verdadeiro baile em Gum, Leandro Euzébio e companhia. Logo aos três minutos, fez fila na entrada da área e chutou forte para superar Berna: 2 a 0. A jogada ainda se repetiria algumas vezes, mas sem o mesmo êxito.

lucas dagoberto são paulo gol fluminense (Foto: Alexandre Loureiro / Vipcomm)
Lucas e Dagoberto comemoram o primeiro gol do Tricolor Paulista
Enquanto Lucas parecia estar ligado na tomada, o Flu se mantinha sonolento. Passes displicentes e jogadas sem muita profundidade não faziam o torcedor sequer sonhar com o empate. Enderson Moreira demorava (muito) para ter reações no banco de reservas, e somente aos 20 minutos ele trocou Deco e Julio Cesar por Souza e Carlinhos. Foi chamado de burro pelos torcedores. E ainda precisou de mais 12 para sacar Diogo e abrir mão do esquema com dois volantes de marcação.

Entretanto, nada disso surtiu efeito. O dono do jogo era Lucas, e pará-lo era uma missão que já tomava tempo demais dos cariocas. Dribles, arrancadas e passes precisos faziam parte do repertório do garoto, que nem precisou balançar as redes novamente para ter uma atuação daquelas que “valem o ingresso”.
O São Paulo que chegou ao Rio de Janeiro em crise, volta para casa com três pontos e uma exibição capaz para ao menos acalmar os ânimos no Morumbi. A batata quente agora está com o outro tricolor. O campeão brasileiro teve estreia decepcionante e aguarda ansiosamente a chegada de Abel Braga. No fim, o time de guerreiros foi chamado de time sem vergonha pelos torcedores. Do lado são-paulino, união. Os tricolores se reuniram no centro de campo antes de ir para o vestiário.
Fluminense 0x2 São Paulo
Ricardo Berna, Mariano, Gum, Leandro Euzébio e Julio Cesar (Carlinhos); Edinho, Diogo (Willians), Deco (Souza) e Conca; Rafael Moura e Rodriginho.Rogério Ceni (Denis), Jean, Xandão, Luiz Eduardo (Bruno Uvini) e Juan; Rodrigo Souto, Casemiro (Rivaldo), Wellington, Carlinhos Paraíba e Lucas; Dagoberto.
Técnico: Enderson Moreira.Técnico: Paulo César Carpegiani.
Gols: Dagoberto, aos 33 do primeiro tempo. Lucas, aos três do segundo tempo.
Cartões amarelos: Gum (Fluminense); Juan e Rodrigo Souto (São Paulo).
Estádio: São Januário. Data: 22/05/2011. Árbitro: Heber Roberto Lopes. Auxiliares: Bruno Boschilla e Gilson Coutinho. Público pagante: 4.005. Público presente: 5.732. Renda: R$ 72.660

Decisivo, Kleber faz golaço e dá vitória ao Palmeiras sobre o Botafogo

Gladiador brilha na estreia do Brasileirão e faz a diferença: 1 a 0 em jogo equilibrado. Apagado, time carioca começa bem, mas não consegue reação

A festa pelos 100 jogos de Kleber pelo Palmeiras só veio, na verdade, na partida 102. Neste domingo, com uma camisa alusiva à marca e o nome Gladiador nas costas, o atacante brilhou e deu a vitória por 1 a 0 sobre o Botafogo, no Teixeirão, na estreia dos times no Campeonato Brasileiro. Discreto na maior parte do tempo, Kleber brilhou quando foi exigido e decidiu o equilibrado duelo com um golaço de pé esquerdo, seu 14º na temporada. O centésimo jogo do atacante foi a goleada por 6 a 0 sofrida diante do Coritiba, em 5 de maio, no Couto Pereira. Ele não marcava há seis jogos.
O Teixeirão recebeu bem menos público do que o esperado. Pouco mais de 13 mil pessoas acompanharam a partida, bastante truncada e com raros momentos de emoção. Do lado alvinegro, Maicosuel voltou a um jogo oficial depois de se recuperar de lesão no joelho – sentiu claramente a falta de ritmo. No Verdão, Luiz Felipe Scolari sofreu com cinco desfalques, mas conseguiu levar o time aos três primeiros pontos no Brasileirão.
O Botafogo volta a campo no próximo sábado, às 18h30m, no Engenhão, para enfrentar o Santos. No domingo, o Palmeira pega o Cruzeiro, às 16h, em Sete Lagoas (MG).

Jefferson é Seleção

Felipão surpreendeu na escalação do Palmeiras, sacando Patrik e atribuindo a tarefa de armação a Tinga e Luan, dois dos jogadores mais criticados pela torcida. Do outro lado, Caio Júnior manteve o que vinha fazendo nos treinamentos em Porto Feliz (SP): utilizou uma linha de quatro jogadores atrás, com Lucas Zen pela esquerda, e liberou Cortês para armar a equipe ao lado de Galhardo. Na frente, Maicosuel fez companhia a Caio.

Com maior volume de jogo e atletas de ofício na armação, o Botafogo dominou os primeiros 15 minutos. Aos poucos, o Palmeiras conseguiu controlar o ímpeto alvinegro ao tirar os espaços de Galhardo e Maicosuel. A arquibancada do Teixeirão, cheia de palmeirenses, começou a empurrar o time para o ataque.
O problema é que faltava qualidade no meio-campo alviverde, tanto que a equipe errou 13 passes na etapa inicial, contra apenas quatro do Glorioso. Não foram raras as vezes em que Kleber voltou para buscar jogo, lutando muito contra os zagueiros rivais. A briga foi tamanha que o Gladiador levou cartão amarelo depois de uma falta dura em Arévalo. Bem treinada, a defesa alvinegra soube neutralizar a principal arma palmeirense.

O Verdão só se encontrou na bola parada, mas teve de encarar um goleiro de Seleção Brasileira. Justificando sua convocação para os amistosos contra Holanda e Romênia, no início de junho,  Jefferson salvou o Botafogo em duas cobranças de falta de Marcos Assunção – a segunda acertou o travessão e, no rebote, João Vitor parou no camisa 1.

 marcio araujo palmeiras arevalo botafogo (Foto: Mario ângelo / Agência Estado) Márcio Araújo, do Palmeiras, disputa a bola com Arévalo, do Botafogo
Ao Gladiador, basta uma chance
Felipão arrumou o que havia de errado no Palmeiras. Com Patrik no lugar de Tinga, a equipe melhorou o toque de bola e conseguiu envolver o Botafogo. Mais preso na defesa, o time de Caio Júnior teve mudanças. Com a saída de Lucas, Zen foi para a direita e Cortês recuou para sua posição de origem. Cidinho passou a ajudar na armação, sem muito brilho. O Glorioso se armou para surpreender no contra-ataque.

O Verdão passou a jogar mais. Martelou, martelou mais um pouco, mas faltava algo. Vigiado, Kleber não conseguia se destacar. No entanto, bastou um vacilo da defesa do Botafogo para o Gladiador brilhar. Aos 19, recebeu pela esquerda, deu drible desconcertante em Lucas Zen e fuzilou com a perna canhota – que nem é a boa. A bola foi seca no ângulo direito de Jefferson, indefensável: golaço, e 1 a 0 no placar.
Caio Júnior, sem opção, abandonou o esquema defensivo. Ele sacou Marcelo Mattos e lançou o atacante Alex, recuando Maicosuel para armar as jogadas. Aí, foi a vez de o Palmeiras se resguardar e só sair em contra-ataques. A entrada de Chico trancou a defesa alviverde e tirou a possibilidade de o Botafogo empatar. A torcida palmeirense, que tanto gritou o nome de Pierre, foi premiada nos minutos finais. Após cinco meses longe dos gramados, o camisa 5 voltou a jogar e encerrou a tarde alviverde em Rio Preto.
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Palmeiras 1 x 0 Botafogo
Marcos, João Vitor (Chico), Danilo, Thiago Heleno e Gabriel Silva; Márcio Araújo, Marcos Assunção, TInga (Patrik) e Luan (Pierre); Kleber e Adriano
Jefferson, Lucas (Cidinho), Antonio Carlos, Fabio Ferreira e Lucas Zen, Arévalo, Marcelo Mattos (Alex), Cortês e Galhardo (Bruno Tiago), Maicosuel e Caio
Técnico: Luiz Felipe Scolari
Técnico: Caio Júnior
Gols: Kleber, aos 19 do segundo tempo
Cartões amarelos: Thiago Heleno, Kleber (PAL); Lucas, Marcelo Mattos (BOT)
Estádio: Teixeirão, em São José do Rio Preto (SP). Data: 22/05/2011. Árbitro: Márcio Chagas da Silva (RS). Auxiliares: Altemir Hausmann (FIFA-RS) e Julio Cesar Rodrigues Santos (RS). Público: 13.705 pagantes. Renda: R$ 400.178,00

De virada, Corinthians derrota o Grêmio no Estádio Olímpico

No segundo tempo Douglas abriu o placar, mas Chicão e Liedson fizeram 2 a 1

Ambos tentavam apagar na tarde deste domingo as más lembranças remanescentes do final de semana anterior, quando foram derrotados nas decisões estaduais. Mas apenas o vice campeão paulista conseguiu. No Estádio Olímpico, pela primeira rodada do Campeonato Brasileiro, o Corinthians venceu de virada o Grêmio - vice gaúcho - por 2 a 1, gols de Douglas para os tricolores, Chicão e Liedson para os corintianos.
Na segunda rodada, as duas equipes voltam a jogar às 16h do próximo domingo, contra os paranaenses da primeira divisão. Em Curitiba, o Grêmio visita o Atlético-PR; e em São Paulo o Corinthians recebe o Coritiba.

douglas grêmio leandro castan corinthians (Foto: Lucas Uebel / Agência Estado)
Douglas marcou o primeiro gol da partida, no Estádio Olímpico

Duelo de táticas parecidas

Taticamente, foram duas equipes praticamente idênticas na distribuição dos jogadores. Renato Gaúcho e Tite optaram pelo 4-4-2 com meio-campo reproduzindo o desenho de um losango, o que proporcionou um confronto tático com quatro duelos pessoais: Fábio Rochemback e Morais, Ralf e Douglas, Ramírez e Adilson, e Lúcio e Paulinho - embora a marcação do camisa 11 gremista tenha ficado sob incumbência do lateral Alessandro.

Houve, neste contexto, muito equilíbrio nos enfrentamentos. Nem Grêmio nem Corinthians conquistavam espaços no campo inimigo. Victor e Julio Cesar sequer sujaram seus uniformes. Para assustá-los, sem infiltrações, as duas equipes arriscavam apenas chutes furtivos de média distância, ou então investiam nos cruzamentos - principalmente em faltas e escanteios.
Ainda no primeiro tempo, duas alterações táticas foram provocadas por uma lesão. Rodolfo torceu o tornozelo esquerdo, e foi substituído por Escudero. No Grêmio, Neuton entrou na zaga, Lúcio foi para a lateral e Escudero ingressou no meio-campo. Imediatamente, Tite inverteu seus apoiadores, passando Paulinho para a esquerda, e Ramírez à direita - postura momentânea, desfeita no segundo tempo.

Pênaltis e virada
Faltava uma vitória pessoal, um improviso, algo fora do roteiro quase matemático proposto pelas duas equipes. E este papel coube primeiro ao jovem Leandro. Com 18 anos recém comemorados, o atacante disparou aos 12 da etapa final, parando apenas ao esbarrar em Leandro Castán, dentro da área corintiana.
Nielson Nogueira Dias apontou pênalti, e na cobrança Douglas marcou: 1 a 0 para o Grêmio. Mas o empate não tardou. Oito minutos depois - já com Danilo em lugar de Morais - foi o veterano Liedson quem buscou o drible, e desta vez o árbitro viu infração de Lúcio. Outro pênalti, convertido por Chicão.
Na saída de campo, Lúcio disse que fez pênalti.
- O jogador tem de admitir quando erra - comentou.
Depois do empate, Danilo quebrou um pouco daquela monotonia entre as intermediárias, movimentando-se com interesse, buscando e criando espaços. Esta participação ganha destaque principalmente porque contribuiu para a virada corintiana: aos 29, após cobrança de lateral - como acontecera na derrota para o Inter que custou a perda do título estadual - o meia egresso da reserva cabeceou para trás, e, de voleio, Liedson decretou a vitória dos visitantes - interrompendo um ciclo de escassez de gols que, na segunda-feira, completaria um mês.
Grêmio 1 x 2 Corinthians
Victor; Mário Fernandes, Saimon, Rodolfo (Escudero) e Neuton; Fábio Rochemback, Adilson (Willian Magrão), Lúcio e Douglas; Leandro e Júnior Viçosa (Lins).Julio César; Alessandro, Chicão, Leandro Castán e Fábio Santos; Ralf, Paulinho, Ramírez (Moradei) e Morais (Danilo); Willian (Jorge Henrique) e Liedson.
Técnico: Renato Gaúcho.Técnico: Tite.
Data: 22/05/2011. Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS). Árbitro: Nielson Nogueira Dias (PE), auxiliado por Erich Bandeira (PE) e Carlos Berkenbrock (SC).
Gols: Douglas (Grêmio), aos 13m; Chicão (Corinthians), aos 20m; Liédson (Corinthians), aos 29m, todos no segundo tempo.
Cartões amarelos: Ramírez, Paulinho, Chicão, Jorge Henrique (Corinthians).
Público: 22.147 torcedores. Renda:R$ 378.291,00.